
ANÁLISE DA PINTURA DE WILLIAM HUNT
LITERATURA INGLESA
ANÁLISE DE OBRA DE WILLIAM HUNT, PINTOR PRÉ-RAFAELITA
Profa. RENATA LOPES FARIA
LITERATURA INGLESA
ANÁLISE DE OBRA DE WILLIAM HUNT, PINTOR PRÉ-RAFAELITA
Profa. RENATA LOPES FARIA
A ARTE PRÉ- RAFAELITA
A Irmandade Pré-Rafaelita nasce de um grupo de jovens insubordinados, descontentes com a estética acadêmica e o mundo ainda romântico de meados do século XIX. Os especialistas distinguem-lhe dois momentos: o primeiro, da fundação, entre 1848 e 1853, que inclui William Hunt, Dante Gabriel Rossetti, John Everett Millais enquanto pintores, o escultor Thomas Woolner, os poetas James Collinson e George Meredith.
A Irmandade Pré-Rafaelita nasce de um grupo de jovens insubordinados, descontentes com a estética acadêmica e o mundo ainda romântico de meados do século XIX. Os especialistas distinguem-lhe dois momentos: o primeiro, da fundação, entre 1848 e 1853, que inclui William Hunt, Dante Gabriel Rossetti, John Everett Millais enquanto pintores, o escultor Thomas Woolner, os poetas James Collinson e George Meredith.
Inicialmente, pintores, poetas e escultores pretendem apenas reagir contra o materialismo vitoriano e as convenções neoclássicas.
Segundo William Holman Hunt, o termo pré-rafaelita nasce quando ele próprio e Millais, ainda alunos na Royal Academy. Ambos criticam a «Transfiguração» de Rafael. Os amigos consideram-nos ousados demais e por isso os ridicularizam chamando-os de pré-rafaelitas. A designação é oficialmente aceita em 1848, e fundamentada pela busca concreta da inspiração na pintura anterior a Rafael e à revolução que este pintor instaura pela introdução da perspectiva. Os Pré-Rafaelitas, como William Holman Hunt, eram marcados de extremismo puritano e moral e a sociedade da época identificou-se com sua arte. Quando resolvem abandonar o movimento [por querelas pessoais ou mudanças de opiniões] deixam a Inglaterra sob a influência de uma escola que não só tem um impacto enorme no pensamento popular, na pintura e na poesia, como ainda no «design» de interiores, ornamentação de igrejas, encadernação de livros, fabrico de mobílias e artigos domésticos.
William Hunt [1827-1910]
William Holman Hunt foi o co-fundador da Irmandade Pré-Rafaelita, juntamente com seu amigo John Everett Millais [1829-96], que conheceu na escola da Academia Real, em 1844. Embora o grupo tenha se dispersado depois de cinco anos, Hunt permaneceu fiel aos ideais da Irmandade por toda vida. Fez várias viagens ao Egito e à Terra Santa para pintar cenas bíblicas, o que fazia com atenção tipicamente pré-rafaelita à exatidão dos detalhes locais.
O século XIX contou com vários processos tecnológicos, dentre eles a fotografia que se difundiu rapidamente como uma nova forma de captar a realidade e conseqüentemente acabou com o monopólio do pintor. Hunt viveu nesta época, porém registrou seu tempo e cenas com cores brilhantes, como que tentando desafiar a precisão da fotografia em preto e branco na época. In: Para entender a arte de Robert Cumming, a tradução é de Isa Mara Lando , editado pela Editora Ática em 1996, páginas 80 e 81.
A obra que vamos analisar é O despertar da consciência; ela desenvolve o tema da mulher decaída, muito abordado pelos romancistas do período vitoriano, na busca de retratar e/ou criticar situações observadas durante tal momento. A tela é uma narrativa visual que retrata uma cena doméstica e é rica em simbolismos. A mensagem tem forte cunho moral e apresenta nítida posição crítica do pintor com relação ao comportamento feminino, cabendo a ela a conscientização e a responsabilidade de viver de acordo com os moldes da rígida moral vitoriana.
William Hunt [1827-1910]
William Holman Hunt foi o co-fundador da Irmandade Pré-Rafaelita, juntamente com seu amigo John Everett Millais [1829-96], que conheceu na escola da Academia Real, em 1844. Embora o grupo tenha se dispersado depois de cinco anos, Hunt permaneceu fiel aos ideais da Irmandade por toda vida. Fez várias viagens ao Egito e à Terra Santa para pintar cenas bíblicas, o que fazia com atenção tipicamente pré-rafaelita à exatidão dos detalhes locais.
O século XIX contou com vários processos tecnológicos, dentre eles a fotografia que se difundiu rapidamente como uma nova forma de captar a realidade e conseqüentemente acabou com o monopólio do pintor. Hunt viveu nesta época, porém registrou seu tempo e cenas com cores brilhantes, como que tentando desafiar a precisão da fotografia em preto e branco na época. In: Para entender a arte de Robert Cumming, a tradução é de Isa Mara Lando , editado pela Editora Ática em 1996, páginas 80 e 81.
A obra que vamos analisar é O despertar da consciência; ela desenvolve o tema da mulher decaída, muito abordado pelos romancistas do período vitoriano, na busca de retratar e/ou criticar situações observadas durante tal momento. A tela é uma narrativa visual que retrata uma cena doméstica e é rica em simbolismos. A mensagem tem forte cunho moral e apresenta nítida posição crítica do pintor com relação ao comportamento feminino, cabendo a ela a conscientização e a responsabilidade de viver de acordo com os moldes da rígida moral vitoriana.
O DESPERTAR DA CONSCIÊNCIA: UMA ANÁLISE
Vamos iniciar nossa análise pelo fundo da imagem: observem que há uma janela: ela mostra um jardim ensolarado com muito verde [a cor da esperança] e algumas flores [rosas brancas?] [o branco sempre é a cor da pureza ; pode não ser a virginal, mas pode ser a espiritual] . A janela é a abertura para o mundo exterior, uma saída, representa a luz do mundo e é para onde a jovem olha como que se tivesse acabado de descobrir algo que só ela notou, pois o rapaz continua entretido a tocar o piano com uma das mãos e a outra está estendida onde repousava, há pouco, as mãos da jovem. A luz pode ter aqui o significado de: salvação divina, consciência iluminada.
Segundo pesquisas, o rosto da jovem foi repintado, porque quem encomendou o quadro a Hunt, dizia que não conseguia observar a expressão de tristeza no rosto da jovem na pintura original. Hunt, então, refez seu rosto iluminando-o com a luz do sol que vem do jardim, como nós o observamos.
Todo o ambiente é rico em significação simbólica. Observemos as paredes ao fundo, mais precisamente atrás da jovem: o papel azul de parede tem como detalhes uma videira [a uva tem dois caminhos: o de Baco ou Dioniso – que é o da embriaguez, aquele da experimentação das emoções mundanas e o caminho da espiritualidade / vinho =sangue do Cristo – que é o caminho do esforço para não cair em tentação]. Abaixo da videira, há trigo [simboliza o pão. [Como conseguimos o pão de cada dia? Como ele nos chega à mesa?] e está também um Cupido adormecido (na sala de aula, alguns alunos disseram que tal cupido parecia um E.T.), sem se preocupar em cuidar da plantação que está sob os seus cuidados. [Mas o que estaria sob os cuidados de cupido nesta cena?Vale lembrar, que o puritano Hunt quis dar a entender que a mulher que deve guardar com cuidado sua castidade como o agricultor deve guardar seus campos].
Observemos agora o piano: acima dele, fixado na parede, está um quadro que retrata uma cena bíblica, o episódio da mulher adúltera. Sobre o piano está um relógio onde se vê a imagem de um Cupido aprisionado [parece que o jovem não está interessado em amor]. Ao lado do relógio, mais ao fundo encontra-se um vaso de flores: são campânulas e estão emaranhadas a outras flores: é uma metáfora das relações complicadas da jovem. Esta observação é reforçada pelos fios emaranhados espalhados pelo chão: eles demonstram a situação delituosa que a jovem está vivendo. No piano ainda está a partitura de uma canção da época: Tantas vezes na noite silenciosa. Segundo a análise de Robert Cumming, esta canção aborda a inocência da mulher quando criança [É possível ser este momento da letra que iluminou o rosto da jovem?]
Observem os dedos da mão esquerda da jovem: não há anel no dedo anular, onde deveria portar uma aliança. Este detalhe reforça a idéia de que ela seja a amante do jovem vitoriano, portanto dependente dos caprichos do rapaz. Ela depende financeiramente dele, e caso o jovem não a queira mais, é provável que ela deva recorrer à prostituição. O chapéu à mesa também reforça a idéia de ela seja amante do jovem e este não seja morador da casa. Já o livro nos traz à realidade de Hunt: ele demonstra os planos do pintor de ensinar a ler e a escrever, sua namorada Annie Miller. Aliás, para conseguir mais exatidão ao que queria retratar, Hunt alugou uma casa em St. John’s Wood, no norte de Londres, lugar conhecido onde os ricos mantinham suas amantes. E a modelo é a própria namorada de Hunt.
Passemos nosso olhar, agora, para o chão: além dos fios já mencionados, sobre o tapete vermelho [cor da paixão e não do amor], está uma adaptação musical feita por Edward Lear [Lembram-se daquele poeta que comentamos, muito amigo de Lewis Carrol e escritor de poemas nonsense?] A música se intitula Lágrimas, lágrimas vãs que é um poema de Tennyson. A música contrasta a inocência da infância da jovem com sua situação atual que é de ruína moral.
Abaixo da mesa, ao lado do jovem, há um gato que tem próximo de si um indefeso pássaro: é uma metáfora do que acontecerá com a moça se ela continuar com ele. O gato representa o rapaz e a mulher o pássaro, que se torna um joguete nas mãos de seu amante:ele brincará com a amante até quando esta situação se trouxer prazer, depois, descartar-se-á dela. Mas, observem melhor: o pássaro parece estar escapando das garras do gato. Assim também parece que ocorreu o mesmo com a jovem: ao se conscientizar de sua realidade, percebe também que é possível uma mudança de vida. O facho de luz incidindo no pé do piano e sobre os fios emaranhados [Lembram-se que eles simbolizam a complicada vida da jovem] , reforçam a idéia do despertar da consciência da jovem.
Com certeza, depois da tela “lida”, graças a Robert Cumming, podemos olhar uma obra de arte com outro olhar: O que um pintor quer expressar? Qual sua visão de mundo? Que mensagem ele deixa ao observador? Todos os detalhes de uma obra são relevantes: as cores, o enquadramento, o jogo de luz e sombra, as linhas retas/curvas, os motivos retratados, etc.
Espero que tenham apreciado o estudo de uma obra de arte e também compreendido o peso moral que estava presente em muitas manifestações artísticas do período vitoriano. A próxima obra a ser analisada será O Pastor também pintado por Hunt. Então, até a próxima análise!!!
BIBLIOGRAFIA:
CHEVALIER, Jean; GHEERBRANT, Alain. Dictionnaire des Symboles. Paris: Éd. Jupiter,1982
CUMMING, Robert. Para entender a arte. Trad.Isa Mara Lando. São Paulo:Editora Ática,1996